Com 35 mil habitantes, Lagomar ainda apresenta problemas

Moradores alegam que a saúde, a urbanização da orla e o lazer são os pontos mais críticos atualmente

Localizado às margens da Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106) e próximo ao PARNA Jurubatiba, o Lagomar é considerado um dos bairros mais populosos do município. Atualmente são mais de 35 mil pessoas vivendo no local, que ocupa área de mais de 3.290.000m².
Assim como a maioria dos bairros e comunidades da cidade, ele cresceu sem infraestrutura. Tanto que a urbanização chegou mais de 10 anos após a localidade ser transformada pela prefeitura, por meio do Decreto Municipal 180/2005, em Zona Especial de Interesse Social.
Mas, se por um lado as obras traziam um pouco de esperança para quem já enfrentou lama e esgoto a céu aberto, por outro, dois anos após a “conclusão”, apesar de ter melhorado, ainda é possível presenciar problemas.
Diante disso, essa semana o BAIRROS EM DEBATE volta ao local, depois de um ano e meio desde a última visita, para saber quais reivindicações feitas na época foram atendidas e quais ainda seguem sem retorno ou previsão do poder público.
Entre as prioridades, segundo o morador André Luís de Carvalho, é a Saúde, que anda de mal a pior no Lagomar.
“Em meio a tantos problemas que temos aqui dentro, no meu ponto de vista, esse é o pior deles. A maioria aqui não conta com plano de saúde, ou seja, depende da rede pública, que é precária”, diz.
Parte do bairro não é contemplada
Ainda referente às reclamações de Saúde, uma delas é sobre o atendimento da Estratégia da Saúde da Família. André relata que parte da população não é assistida pelo programa.

“Quem mora da W24 até a W30 não tem atendimento nenhum. O bairro todo conta com quatro equipes, que não atuam nessa parte do Lagomar. Fora que elas também apresentam falhas, como a falta de médicos. Temos crianças, idosos, pessoas acamadas, que sofrem com a falta de assistência. Um amigo meu, com bebê recém-nascido, precisou buscar atendimento para o filho no Centro porque não conseguiu aqui. Imagina o desgaste de ter que se deslocar para outros bairros, muitas vezes de ônibus, porque não tem o serviço perto de casa”, conta ele, que já buscou os órgãos públicos na esperança de conseguir as melhorias. “Estive no início do ano com o coordenador da ESF e ele, que foi bastante solícito na época, disse que iria contratar profissionais novos e colocar uma equipe para essa região, mas até hoje nada. A gente já não sabe mais o que fazer”, lamenta.

Outra reclamação é referente a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Desde que foi municipalizada, em outubro de 2015, a população relata que o serviço ainda é precário. “Continua tudo do mesmo jeito, se bobear até pior. Uma hora falta médico, outra falta aparelhos, às vezes suspendem a emergência. Tem que ter sorte. Um vizinho foi com o filho lá um dia e não tinha pediatra. Precisou ir ao Aeroporto e ao Centro para conseguir atendimento. E assim vai se arrastando a saúde aqui do nosso município”, relata André.
 
Área de lazer sem manutenção
Depois de muitas reivindicações, os moradores puderam comemorar na época da obra a conquista da construção do parquinho e da academia popular na Avenida Quissamã, principal do bairro. Desde que foi inaugurado, ele se tornou o ponto de encontro de quem vive ali, principalmente das crianças.
No entanto, um pouco mais de um ano após ser inaugurada, a área de lazer, que também conta com quadras e academia popular, segue se deteriorando por conta da falta de manutenção e vandalismo.
No parquinho, crianças se arriscam ao brincar em um ambiente inadequado. Isso porque os brinquedos já estão quebrados devido ao mau uso. Além do parquinho, a iluminação precisa melhorar no local. “Essa é uma luta nossa antiga. Muita gente não vai para a praça à noite por medo. Tem um conhecido que tem o desejo de fazer um projeto de capoeira aqui com as crianças e jovens e ele desanimou por conta da escuridão que fica”, explica o morador.
Paralelo a isso, a população diz que é preciso criar mais espaços iguais a esse no bairro, pois a demanda é grande. “O Lagomar é muito grande para ter um parquinho apenas”, diz Rogéria.
Urbanização da orla
Ao contrário da Orla dos Cavaleiros e do Pecado, a do Lagomar se tornou um lixão a céu aberto. Em cima da vegetação, restos de entulho, lixo doméstico, móveis velhos e até resíduos tecnológicos vão, aos poucos, se acumulando. A situação mais crítica fica em uma área a poucos metros da praia do São José do Barreto.
Moraodores sonham com a urbanização da orla

“Quando será feita essa urbanização que prometem há anos? Fizeram as obras no bairro, mas esqueceram esse pedaço”, questiona o morador.

Em 2015, a prefeitura disse que a urbanização da orla estava prevista para ser realizada futuramente. O tempo passou e as pessoas continuam enfrentando a sujeira, falta de iluminação e lama. “Quando chove fica difícil de passar por alguns trechos. O ideal seria fazer o calçamento, uma ciclovia, quiosques e até uma área de lazer para os moradores terem uma opção nas horas vagas. Sem dúvida isso valorizaria a nossa área e traria mais qualidade de vida”, diz Ruth.
 
Obra do Cras abandonada
O programa que deveria atuar com famílias e indivíduos em seu contexto comunitário, visando a orientação e fortalecimento do convívio sociofamiliar, tem sido alvo de críticas dos moradores no Lagomar. Segundo eles, as obras da unidade do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro, na Avenida Quissamã, estão paralisadas há mais de dois anos.
Cras segue sem previsão de retomada das obras, paradas desde 2015

Para André, o Cras é de extrema importância para o bairro. “Ele é a porta de entrada para várias famílias em situação de vulnerabilidade, para que tenham acesso a diversos programas sociais. Pelo que me informaram, a cada 4 mil habitantes é preciso ter um, ou seja, o nosso bairro deveria contar com vários, e até hoje não tem nenhum. A gente precisa muito desse tipo de serviço, e esperamos que essa obra seja concluída o quanto antes”, enfatiza.

Ele disse que já reportou a situação à Câmara de Vereadores em busca de apoio. “Estive com os parlamentares e a resposta é sempre a mesma. Tem que questionar a prefeitura onde vai parar o dinheiro porque trata-se de uma verba federal. Na minha opinião é preciso terminar o que começou ao invés de ficar aquela estrutura abandonada pela metade. Se eles quiserem, a gente assume e conclui a obra para poder utilizar o espaço em prol da população com projetos sociais. Mas se a gente faz isso eles vêm em cima”, enfatiza.
O Cras é um programa voltado para pessoas carentes que vivem em áreas de vulnerabilidade social. Em Macaé existem sete unidades, que contam com equipes multidisciplinares. Entre os serviços prestados estão: Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) – responsável pelas ações de acolhida, orientações e encaminhamentos aos serviços públicos; cadastramento para o CadÚnico e Programa Bolsa Família; acompanhamento familiar; campanhas comunitárias; busca ativa; visita domiciliar; orientações e encaminhamentos para o Benefício de Prestação Continuada (BPC); Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) e atividades em grupos.

Fonte: O Debate

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